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Seis Anos Depois, Harlan Coben










"Você fez uma promessa."

Se tem algo que deixa o ser humano inquieto é a curiosidade. Por causa dela o homem chegou até a lua, descobriu os supostos restos da arca de Noé e, ainda graças a ela, muitos tentaram chegar ao topo do Everest. Agora, some a curiosidade ao desaparecimento repentino da única pessoa que você já amou na vida. Difícil, não é? Adicione ainda o voto que você fez de nunca ir atrás desta pessoa. Aconteça o que acontecer, você precisa honrar esta promessa. Você seria fiel ou quebraria o pacto?
Durante seis longos anos, o professor universitário Jacob Fisher cumpriu o acordo; seis anos depois, um assassinato aniquilou todo seu esforço.

Box 21, Roslund & Hellström




Este não é um dos livros mais conhecidos na prateleira de uma livraria. Então por que o comprei? Bom, pra começar, não é todo dia que nos deparamos com um livro escrito por um policial e um ex-criminoso. Pois é, é isso mesmo. A partir disso, já podemos imaginar que toda a trama será descrita de uma maneira bem verossímil. Muito tempo depois, descobri que o livro A Besta, um bestseller, foi escrito por estes mesmos autores. Além disso, o livro tinha um papel em volta com um aviso do tipo “O livro que chocou a Europa” – não me lembro das palavras exatas. Pareceu meu tipo preferido de livro. Adivinhem: eu estava certa. O livro não só se tornou um dos meus favoritos, como um dos favoritos das pessoas a quem o indiquei. E não foram poucas.

As mentiras se alimentam umas das outras, uma mentira leva a outra e depois a outra, até que você fica irremediavelmente preso num emaranhado e não mais reconhece a verdade, mesmo quando ela é tudo o que você tem.


Box 21 conta a história de Lydia Grajauskas e Alena Sljusareva, duas jovens bonitas, que foram levadas à cidade de Estocolmo três anos antes e acabaram presas no famoso tráfico de mulheres. Depois de espancadas e estupradas, foram forçadas a se prostituir e cada uma achou sua maneira de sobreviver a isso. O livro começa com Lydia no hospital; depois chega um traficante com overdose, no mesmo hospital. As histórias de todos os personagens estão conectadas por uma série de crimes, e então a trama vai se desenvolvendo.

Quando tudo é dito e feito, é muito simples, há a verdade e o resto são mentiras. E a verdade é a única coisa com a qual as pessoas conseguem conviver a longo prazo. Todo o resto é bobagem.

Lydia é, de longe, minha personagem favorita. Ela mostra o que “um pouco” de ódio e determinação podem fazer com uma pessoa. Todas as decisões e todos os planos. Ela é extremamente fria e vingativa. Não que não tenha motivos para isso, claro. Ela e Alena ensinam muito sobre amizade.

“Este é meu argumento. Esta é a minha história. Quando você ouvir isto, espero que o homem sobre o qual eu vou falar esteja morto. Espero que ele tenha sentido a minha vergonha.”

Os personagens são todos cinzas. Não existem apenas mocinhos e vilões. Como fora da ficção, todo mundo tem seu lado bom e ruim. O policial, Sven Sundkist, e o detetive, Ewers Grens, são os típicos de um romance criminal, com passados tristes e complicados. Sim, o livro tem clichês. O que importa é que o final realmente não é um deles, e com certeza vai te surpreender. Prometo que, em algum ponto, o nome do livro começará a fazer sentido – na verdade isso está escrito nas orelhas, mas é muito mais divertido descobrir ao longo da história.

Não era difícil entender que a humilhação constante obrigasse você no fim a escolher entre desistir e ceder ou tentar humilhar outra pessoa como vingança.

O estilo do livro me lembrou da escrita de José Saramago, de uma maneira bem suave, pela forma como os diálogos e flashbacks foram escritos. Já li alguns comentários dizendo que o livro é enrolado e confuso. Imagino que o confuso seja exatamente por esse motivo, e devo discordar do enrolado. Por mais que seja uma história relativamente longa, muita coisa acontece em sequência e todos os capítulos estão lá por um motivo muito claro. A contra-capa diz:
“(...)Um thriller policial com uma profunda reflexão sobre amizade, verdade e mentira, culpa e vergonha. Box 21 é um relato vívido do quanto um ser humano pode ser cruel”.
 Foi uma descrição resumida bem precisa do livro.

Boneco de Neve, de Jo Nesbo







“Esse é o problema do mofo, não dá para ver que está aí. Mas está.”
Essa frase é boba, né? Concordo, mas ela vai te deixar pensando por semanas, garanto! Boneco de Neve, considerado o melhor trabalho do escritor Jo Nesbo, é um thriller policial. Até aí tem um monte, mas esse tem um toque especial. Quero dizer, alguns.

O herói da história pode ser várias coisas, menos herói. Harry Hole é alcoólatra, divorciado e questionado por sua conduta até por seu filho, Oleg. Harry é detetive e o único a identificar e prender um serial killer na história da Noruega, e, talvez, seja por isso que ele se torna o alvo do jogo psicótico planejado pelo assassino conhecido como Boneco de Neve. Quando a neve cai em Oslo, um boneco de neve no quintal é o presságio de algo muito macabro, segundo a sinopse. O assassino o constrói e o adorna com um objeto pertencente a sua vítima, uma peça de roupa ou a cabeça da pessoa. Coisa simpática! Apesar de prometer algo macabro e assustador, o livro não entrega isso. É um policial e dos bons, claro que é, mas nada que te assuste tanto, exceto talvez as descrições de pedaços humanos e o processo para obtê-los.

Eu Mato, Giorgio Faletti



Aos amantes de livros policiais e/ou de suspense, recomendo. Aos não tão amantes assim, talvez essa não seja a melhor escolha. Admito que o que me chamou atenção neste livro foi o título, em alguma visita à livraria, que já não me recordo. Acabei ganhando o livro de presente e no mesmo dia comecei a ler. Demorei cerca de quatro meses para acabá-lo, sendo que a segunda metade li em um único dia.

O que eu quero mostrar com isso? Ele não é exatamente instigante. O livro é um tanto quanto lento, especialmente no começo. Fiquei um pouco perdida e não sabia muito bem o que estava acontecendo, e isso me desanimou. A pessoa que me deu o livro não tinha gostado e, se não me engano, sequer terminou a leitura, exatamente por este motivo. Porém, outros conhecidos me disseram exatamente o contrário, inclusive cheguei a ouvir a seguinte definição para o autor: “Giorgio Faletti é como Dan Brown, só que bom”. A pessoa que me disse isso não sabia que Dan Brown é um dos meus autores favoritos.

O que Giorgio Faletti e Dan Brown têm em comum é a capacidade de enrolar o leitor por centenas de páginas até que a coisa fique realmente interessante. E o que eu adoro: você pode tentar adivinhar, o quanto quiser, qual será o desfecho do livro e, mesmo com dez hipóteses diferentes, você falhará. Essa característica é talvez o principal motivo de eu gostar ou desgostar de um livro policial (ou mesmo outros). Afinal, qual é a graça de ler um livro de 530 páginas, se você consegue adivinhar quem fez o que, quem morre e quem vai preso?

“Esta é a verdadeira loucura, pensou consigo mesmo, a capacidade de alimentar-se de si mesma para gerar apenas e sempre mais loucura.”

“Eu Mato” conta a história realmente perturbadora (que você descobrirá só no final) de um serial killer, apelidado de “Ninguém”, que diz matar para livrar-se de seu próprio sofrimento. O que torna os assassinatos tão chocantes é o fato de ele, depois de matar, retirar, com um cuidado quase cirúrgico, toda a pele do rosto de suas vítimas. Boa parte da trama é baseada em descobrir qual o motivo que o leva a fazer isso. O leitor acaba descobrindo no meio do livro, o que finalmente é instigante, mas a história completa só é encaixada no final.

O livro é dividido entre os “carnavais”, sobre o que o assassino está fazendo, e os capítulos normais do livro, contados pelos policiais, Frank Ottobre e Nicolas Hulot. Ao todo, são doze carnavais e sessenta e quatro capítulos. Não se enganem achando que em cada carnaval acontece um assassinato; as coisas não funcionam bem assim.

“- Sabe, Nicolas, às vezes, quando penso nas coisas que acontecem no mundo, coisas como essa, como o World Trade Center, guerras e tudo o mais, o que me vem à cabeça são os dinossauros. O delegado olhou para ele sem dizer nada. Não conseguia entender onde ele queria chegar. - Há muito tempo, muita gente tenta entender por que os dinossauros se extinguiram, por que os animais que dominavam o mundo desapareceram assim, de repente. Talvez a explicação mais válida entre todas as possíveis seja também a mais simples. Talvez tenham morrido porque enlouqueceram, todos eles. Exatamente como nós. É isso que somos, nada mais do que pequenos dinossauros. E, mais cedo ou mais tarde, nossa loucura será a causa de nossa ruína.”

A história envolve Jean-Loup Verdier, DJ de uma rádio local, além de outros funcionários desta mesma rádio; Pierrot, um jovem apaixonado por música, amigo de Jean-Loup, peça-chave nas investigações; Ryan Mosse e Nathan Parker, do exército americano; além de muitos, muitos outros. “Ninguém” é fascinado por música, e boa parte do livro gira ao redor desse fato, já que as pistas que ele envia à polícia são sempre relacionadas a músicas. Suas vítimas são preferencialmente homens, bonitos e pelo menos razoavelmente famosos.

Existem alguns trechos psicológicos bem interessantes, e isso é uma característica que me atrai em um livro, como costumo citar em minhas resenhas. As descrições são muito bem feitas, os personagens muito bem marcados e bem construídos. Frank Ottobre, em alguns pontos, me lembra da insolência de House. Sempre grosso e verbalmente agressivo, porém sempre com a razão. Além do completo descaso com autoridades.

"(…) - E, afinal de contas, era tudo muito simples.
- Uma vez li num livro que todos os enigmas são simples, depois que você fica sabendo a resposta."

Outro ponto que me chamou atenção neste livro foi que, se não todos, 90% dos personagens, até mesmo os que aparecem por poucas páginas, sofreram algum trauma e foram perturbados por algum tempo. O que, claro, inclui os protagonistas e obviamente o assassino. Em suma, eu tinha altas expectativas em relação a esse livro, e todas foram atingidas.

Sangue no Inverno, Mons Kallentoft


“Amor e morte moram lado a lado. Seus rostos são únicos e idênticos. Não é preciso parar de respirar para morrer ou respirar para viver.”
No meio do inverno mais frio dos últimos tempos na Suécia, um corpo jaz pendurado numa árvore com sinais que lembram antigos rituais vikings. É a partir daí que Malin Fors, a detetive protagonista, inicia sua jornada em busca da solução desse crime. O livro tem narrativa simples e bem estruturada, colocando a disposição do leitor detalhes da vida pessoal de Malin a fim de humanizar a heroína, como os problemas com sua filha adolescente que em determinado momento se sobrepõem a narrativa principal. Ambientado em uma cidade até então pacata, tão pacata que chega a ser entediante para que o leitor se foque no que o autor quer: o crime e a vida da detetive, este último parecendo em certos momentos ser o mais importante assunto a ser tratado na história.
 

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