Nem todas as mães amam os filhos, Rose Ferreira


“Por muito tempo, eu busquei motivos para a violência e o desprezo com que minha mãe me tratava, enquanto convivia com a culpa de não ser merecedora do seu afeto”

Terminei este livro com um certo alívio, devo admitir. Não que a leitura seja ruim, pelo contrário, o livro é fascinante – mas o fascínio pode vir pelo terrível, e é justamente o caso desta obra de Rose Ferreira.


“Nem todas as mães amam os filhos” é uma narrativa pessoal, sincera e que dói de ler. A história da autora e sua mãe, que não a amava, é uma realidade que muitas pessoas vivem, mas mantém em segredo. Rose, porém, através da escrita e da ajuda conseguida por meio da literatura, se desvencilha do peso de ter uma mãe cruel e se abre numa história cheia de altos e baixos (mais baixos que altos).

Filha única, não desejada desde a gravidez, Rose cresce sofrendo os abusos da mãe, que são relatados no detalhe, e o sentimento do leitor é parecido com aquele de quem assistiu ao filme “Preciosa – uma história de esperança”. As semelhanças são diversas, especialmente, porque há esperança na obra de Rose Ferreira. Ela se torna uma pessoa bem resolvida e chega a cuidar da mãe doente no fim da vida, mas o mais importante é resposta para a pergunta: como entender e aceitar que uma mãe tenha um comportamento tão cruel em relação a sua filha?”.

A resposta para esta pergunta é dada ao final da obra e pistas surgem ao longo do texto. Rose foi forçada a amadurecer, foi obrigada a deixar de ser criança e, por favor do destino, teve oportunidade de pensar os afetos e compreender algumas das motivações da mulher que a criou. Os momentos mais marcantes da obra são aqueles em que a autora começa a compreender o que ela é, como ela pode se desvencilhar da mãe opressora e, especialmente, que ela pode romper o ciclo.

O livro me tocou profundamente em diversos momentos, o entendi como uma espécie de lembrete para os pais em potencial, ter filhos sem os desejar pode ser desastroso, nossa psicologia é complexa e é fácil que o ódio surja do amor. A narrativa é fluida, a escrita é marcante e a autora conseguiu dar o tom certo para sua biografia. Há uma mensagem de esperança no meio da dor, mas mais que isso, há sinceridade e verdade, não há lugar para clichês ou para mentiras amenizadoras.

Este livro foi uma cortesia da editora Paulinas. Você pode encontrar a editora pelo link

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