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Introduzindo: FKA Twigs




Provavelmente você já viu ou ouviu esse nome em algum lugar, mas talvez não pelo motivo correto. Em 2014, FKA Twigs tomou os tabloides por estar namorando o Robert Pattinson, mas não é disso que vim falar. Também em 2014, Twigs lançou um dos álbuns mais interessantes daquele ano. Após seu elogiadíssimo EP2, Twigs lança um álbum maduro, moderno e intenso. Frequentemente associada ao experimental, Twigs não poupa esforços para torcer e distorcer seus arranjos eletrônicos e isso, aliado a sua belíssima voz, resulta numa experiência extraordinária. Portanto, vim provar hoje que não é tão difícil degustar o R&B desconstruído da FKA. Se você estiver disposto a embarcar nessa comigo, prometo que não irá se arrepender. Minha dica principal é: não tenha pressa. Relaxe e ouça com calma.

Para Entender Interstellar



Muito se falou sobre Interstellar em 2014, obra do Nolan que explorou a vastidão do universo e trouxe ao público conceitos físicos e astronômicos modernos. Eu, como estudante de engenharia e apaixonado por física, encantei-me com os conceitos usados no enredo e as belíssimas interpretações gráficas daquilo que vejo apenas em teoria e fórmula. Um delírio visual, diga-se de passagem. Pois bem, coloquei-me nesta missão de explicar a física de Interestellar já que, compreensivelmente, grande parte do público não o entendeu completamente. Muitos pensaram “mas por quê ela envelheceu e ele não?”, “que diabos é esse troço da gravidade?”, “hipercubo, wtf?”. Como dizia meu professor do ensino médio: “Óh física maravilhosa! O que seria de nós sem você?”, para começo de conversa, sequer existiríamos.

Reservei-me o direito de trazer tantos spoilers quanto necessário, então se você ainda não assistiu, NÃO leia este especial. Para você que assistiu, não entendeu e quer saber mais, fique aqui, pois a seguir tentarei (foco no tentarei) explicar as abstrações físicas do filme. Gostaria de ressaltar que usarei uma linguagem pouco técnica e tentarei ser o menos prolixo possível, portanto, peço perdão aos físicos que, talvez, lerão estes escritos. Juro que não fiz por mal, foi para um bem maior. Sabemos que a física é muito mais um exercício de reflexão e abstração, do que de objetividade. O que hoje são conceitos simples e aparentemente óbvios, levaram-se anos e anos de pensamento e discussão (até algumas mortes) para serem construídos. Amém, Newton. Amém, Einstein. Vamos lá!

9 Clipes da Björk que você deveria ver


Björk é, desde o começo da carreira, uma das artistas contemporâneas mais interessantes que já surgiram no mundo da música. Aliando inovação, conceito, técnica e lirismo criou uma musicografia impressionante durante sua carreira. Sem surpresa, seus videoclipes também seguiram o mesmo caminho.

Tomei a difícil tarefa de escolher, dentre as dezenas, nove clipes que foram importantes na carreira da cantora e que você, como bom amante da música e da arte, deve assistir (se já não assistiu). Sei que listas nunca são justas, ainda mais tratando-se de uma artista tão vasta como a Björk, então você me perdoe de antemão por não ter inserido algum clipe que julgue importante. Vamos lá?

Rebel Heart, Madonna

Após mais de 30 anos de carreira, algumas obras-primas e polêmicas lançadas, Madonna retorna ao universo musical com seu décimo quarto álbum intitulado “Rebel Heart”. Com a colaboração de diversos produtores e estilos diferentes, Madonna orquestra uma verdadeira salada musical, onde incrivelmente consegue soar concisa e estruturada. Conhecida por sua mão-de-ferro, foco e perfeccionismo, a artista faz transbordar suas melhores qualidades em seu novo álbum.

O Homem do Castelo Alto, Philip K. Dick


“’Ideologia’ pode designar qualquer coisa, desde uma atitude contemplativa que desconhece sua dependência em relação á realidade social, até um conjunto de crenças voltado para a ação; desde o meio essencial em que os indivíduos vivenciam suas relações com uma estrutura social até as ideias falsas que legitimam um poder político dominante.” (ZIZEK, Slavoj. Um mapa da ideologia, 1996, p.9)

Philip K. Dick é famoso por desenvolver ideias originalíssimas e, especificamente, ideias com conotação filosófica. Em “Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas” (Aleph, 2014), a questão é o que significa ser humano. Se androides extremamente sofisticados conseguirem ultrapassar a inteligência humana, eles são humanos? O que, precisamente, é requerido para ser considerado humano? Para um detetive policial cujo trabalho é caça-los, isso se torna um dilema muito interessante.

O Fim da Infância, Arthur C. Clarke


Minhas palavras nesta resenha continuarão a ser insuficientes para descrever com precisão o fenômeno existente dentro das páginas desse livro e a largura dessa experiência literária que Arthur C. Clarke nos deu quando escreveu “O Fim da Infância”. Essa é uma novela de ficção científica que explora a complexa relação entre começos e fins, e o imensurável processo de evolução. Clarke, porém, tentou ferozmente capturar a essência desse conceito ousado em sua história e sinto-me no dever de tentar fazer o mesmo aqui.

Drácula, Bram Stoker



A escuridão é algo bastante curioso. Geralmente, é a noite que encontramos paz, mas, mais frequentemente, é durante as horas de escuridão que todas as coisas perdem sua forma. Ao tornarem-se disformes, elas fazem nossos olhos perderem suas funções; concentramo-nos, então, em experiências internas como o pensamento, a reflexão e os sonhos. A escuridão, no entanto, abre portas para um sentimento bastante poderoso: o medo. Dizem que o medo é uma das mais maravilhosas características de nossa evolução, nos pondo em alerta acerca de um perigo iminente, mas também transforma, tal como a escuridão, as coisas ao nosso redor. De repente, o simples ranger no assoalho é moldado por nossas mentes como a invasão de um intruso ou de peripécias sobrenaturais. É um tanto ilógico sentirmos medo no escuro, pois além da falta de luminosidade, nada, de fato, mudou no ambiente ao redor. Porém, a falta de luminosidade em si cria uma sensação de desconhecimento, mesmo que você saiba onda cada coisa está; o fato de não ver o suficiente nos coloca numa situação completamente primitiva, desarma-nos ao mesmo tempo em que aflora todos os nossos sentidos. A lógica deixa de importar e o instinto toma conta de nossos corpos.

As máscaras da sociedade em "Breve Romance de Sonho"


Breve Romance de Sonho, a história mais famosa de Arthur Schnitzler, escritor e psiquiatra, aborda com grande maestria, em suas poucas páginas, o mundo de máscaras ao qual a sociedade moderna está inserida. Um mundo de aparências, onde “a moral e os bons costumes” reprimem os desejos instintivos do antro selvagem humano. Outrossim relaciona tal abordagem ao principal pilar dessa sociedade: o casamento. Perdido e confuso, o homem encontra-se desnudo frente a um outro mundo, que coexiste com o das aparências; um mundo anônimo e obscuro, onde, protegido por uma máscara, pode-se libertar das amarras morais e deleitar-se ao seu bel-prazer em prazeres carnais.

Asas do Desejo, Win Wendels



Após a Segunda Guerra Mundial, o continente europeu foi dividido não só por crenças políticas e conflitos econômico, mas também fisicamente por um muro construído, através de Berlim, pelos países comunistas sob as ordens e pressão de Moscou para manter os ideais do capitalismo fora da cidade e das mentes de seu povos. O muro permaneceu intacto até 1989, mas, durante este período de tempo, surgiu uma dramática e existencialista época cinematográfica que incitava as principais questões do momento: Onde eu pertenço? Que país que eu chamo de meu? Viver vale a pena?

Sombra do Paraíso, Goyer e Cassult



Há pouco mais de dois anos, li o clássico romance de ficção científica “Encontro com Rama”, do Arthur C. Clarke, e começo falando dele, pois "Sombra do Paraíso" é, de muitas formas, uma atualização moderna do clássico e tenta marcar um novo caminho para conceitos científicos que não eram tão familiares durante a época de Clarke. “Sombra do Paraíso” se apresenta com duas naves espaciais concorrentes, uma dos EUA e outra da aliança BRICS, brigando para interceptar um objeto de natureza desconhecida aproximando-se da Terra, divertidamente apelidado Keanu (sim, de Keanu Reaves por ter interpretado Neo em "Matrix"). É claro, torna-se óbvio que Keanu não é bem o que parece ser; não é um asteroide simples, mas sim uma estação enviada por entidades alienígenas misteriosas. Logo de cara, “Sombra do Paraíso” deve algo a “Encontro com Rama”. Keanu, o objeto sombrio do romance, teria sido encontrado pelo programa Spaceguard. O programa Spaceguard, fundado em 1992, é inspirado pela organização de mesmo nome na história de Clarke. E ambos os romances iniciam com a mesma problemática: interceptar um objeto desconhecido que logo se mostra uma estação alienígena sombria.

Quatro Estações, Stephen King


Eu não sou exatamente um grande fã de Stephen King, diria que sou um admirador. Li muitos livros seus, alguns bons, outros nem tanto. Alguns me marcaram profundamente outros já esqueci que li, mas uma coisa eu sei: o homem sabe escrever! Escrever não só sobre terror, mas sobre a mente humana, sobre os pesares da alma e suas esperanças. Já venho há muito tempo considerando-o não um grande contador de histórias de terror, como seu marketing insiste em afirmar, mas como um grande contador de histórias.

Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez


Muitos anos depois, em seu leito de morte, o escritor Gabriel García Márquez havia de recordar aquela tarde remota em que deu início à história de Macondo. Talvez ainda a sem consciência de estar escrevendo não apenas sobre uma vila fictícia, mas sobre toda a América Latina, e não apenas sobre a família Buendía, mas sobre todas as famílias. E mais, sem a consciência de estar escrevendo um dos maiores romances de sua época. Cem Anos de Solidão é tão grande quanto a extensão da América Latina, mas não se engane, não falo de quantidade de páginas, mas de história pura e pulsante. Falo de pessoas, famílias, guerras, ideais, amor, ódio, sexo, egoísmo, orgulho, reviravoltas, loucura, mas também de fantasia. Uma história cuja engenharia interna é secreta, quase invisível. Nem mesmo o mais concentrado dos leitores conseguirá se manter atento aos cordões que a movem; se perderá logo nas primeiras linhas aos delírios mágicos de Macondo, mas não se engane, a magia de Cem Anos de Solidão é puro realce da realidade.

'71, Yann Demange


Filmes sobre guerra existem aos montes, a maioria, claro, são versão superficiais e ficcionais do que é uma guerra de verdade. Alguns, no entanto, acertam em cheio em mostrar a realidade nua e crua, sem arrodeios, diante do espectador. Em seu primeiro longa-metragem, o diretor estreante Yann Demange aborda com muita veracidade uma guerra real que acontece há muitos séculos.

The Archandroid, Janelle Monáe

Dois anos após fazer a crítica musical render-se ao seu excelente EP debutMetropolis: The Chaise Suite I”, Janelle Monaé retorna em 2012 arrebatando o universo musical com mais dois capítulos de seu argumento no álbum “The Archandroid”. Além de um disco excelente, o álbum propõe uma experiencia musical vasta, rica e profunda. Um misto de estilos que se conectam de uma maneira extraordinária, cujas influências vão desde de Fritz Lang a Philip K. Dick, de Michael Jackson a David Bowie. Uma coleção fantástica de sentimentos que resultou num álbum bem trabalhado, conciso e cativante.

O Túmulo dos Vagalumes, Isao Takahata

Um clássico do cinema japonês que se mantêm firme nos corações de todos aqueles que foram cativados. “Túmulo dos Vagalumes” é uma animação extraordinária e triste. Uma belíssima história de amor incondicional, mas também de desumanização. Já ouvi dizerem a frase “é o melhor filme que jamais assistirei novamente” e não posso culpar quem disse isso. O filme é forte, emocionante e revoltante, mas um dos poucos retratos fiéis da desordem humana causada pela guerra. E, por mais irônico que seja, é uma animação com grande teor realista.

William Wilson, Edgar Allan poe


Alerta: O texto a seguir contém spoilers.

Um conto bastante famoso de Edgar Allan Poe, "William Wilson" relata uma confissão misteriosa e sombria acerca de memórias da juventude. William é o pseudônimo do narrador que prefere não se identificar e, através de sua narrativa anônima, entramos nos confins de sua mente perturbada. William apresenta-se como um homem decadente, cuja vida fora regada a imoralidades e perversão, porém, narra sua trajetória mostrando-se profundamente arrependido de suas ações. 

Neste trama psicológico, William conta-nos sobre um misterioso rapaz que surge em sua vida quando passa a estudar num colégio de estilo gótico, no interior da Inglaterra (cenário creditado à própria infância de Edgar). Este misterioso rapaz possui, curiosamente, o mesmo nome que o seu, nasceu na mesma data, entrou no colégio no mesmo dia, e, à visão de William, parece-se fisicamente com ele próprio: mesma estatura, feições faciais parecidas, jeito de andar e modo de vestir-se iguais. Quase sua imagem e semelhança, porém, com um detalhe tortuoso apenas: sua voz sussurrante, incapaz de ser proferida em voz alta, dessemelhava-se à voz de William.

The Dark Side of The Moon: Nós e Eles


O ano de 1973 parece ter reservado grandes clássicos para o mundo. No ano em que filmes como “O Exorcista” e “O Homem de Palha” confrontaram suas plateias com o medo do desconhecido, Pink Floyd trouxe para o universo musical sua obra mais importante: The Dark Side of The Moon. Após o mundo passar por grandes guerras, uma epidemia de síndrome do pânico tomou a sociedade durante o século XX, forçando-nos a refletir sobre nós mesmos e nossas ações. Enquanto o crescente desenvolvimento tecnológico criava a sensação de estabilidade e supremacia social, os jogos políticos, no entanto, se tornaram uma sombra que poderia engolir a sociedade inteira. Nessa época, como válvula de escape, as mídias intelectuais tornaram-se os principais meios de denúncia e reflexão. Em 1973, já como uma das bandas de rock mais influentes e inovadoras da época, Pink Floyd mostrou ao mundo uma obra absurdamente humana e também assustadora. O chocante encontro com o nosso “lado escuro”.

Neuromancer, William Gibson



De tempos em tempos, sem quaisquer promessas, surgem livros com uma qualidade muito rara: eles expandem o horizonte da literatura. A ficção científica tem sua matriz na mesclagem entre a literatura fantástica, gótica e científica, sendo esta última vertente a mais expressiva. A ciência permeia todas as linhas do texto sci-fi; de Voltaire a Júlio Verne, a ficção científica, como a própria ciência, está em constante mutação e uma das últimas expansões mais significativas surgiu no ano de 1984, cujo alicerce está no intenso contraste entre a alta tecnologia e a baixa qualidade de vida. Numa analogia irônica, Neuromancer é sobre a vida humana atrelada à máquina, mas, mais do que isso, é sobre uma dependência que beira ao vício. O homem não está sob o domínio de um governo totalitário como no romance 1984 de George Orwell, mas sob o domínio de sua própria manifestação e criação: a ciência. Como uma obra-prima, Neuromancer transcendeu e se tornou um marco na cultura pop, onde sua influência ecoa fortemente até os dias atuais. Não a toa, o livro de William Gibson é considerado um dos melhores romances do século XX e vencedor dos principais prêmios da ficção científica.
“Cyberespaço. Uma alucinação consensual vivida diariamente por bilhões de operadores autorizados, em todas as nações, por crianças aprendendo altos conceitos matemáticos... Uma representação gráfica de dados abstraídos dos bancos de dados de todos os computadores do sistema humano. Uma complexidade impensável. Linhas de luz abrangendo o não-espaço da mente; nebulosas e constelações infindáveis de dados. Como marés de luzes da cidade." (2003, p. 67)

O Conto da Princesa Kaguya, Isao Takahata



Onde está a felicidade? Na simplicidade ou na exuberância? Em um palácio luxuoso ou num casebre? Está no dois? Afinal, onde está a verdadeira felicidade? É nesse conflito eterno que O Conto da Princesa Kaguya se instala. Mas não é só isso, não se engane. É muito mais, é do Studio Ghibli que estamos falando. Assisti este filme sem nem ler a sinopse ou ver qualquer trailer, minha confiança no estúdio é plena. Assisti e já nos primeiros segundos eu estava encantando. Ao passar do filme, senti-me uma criança diante de um monumento: Pequeno diante daquela grandiosidade. Dois dias depois, assisti novamente com o mesmíssimo entusiasmo e foi como se fosse a primeira vez. Foi aí que eu tive a certeza de que O Conto da Princesa Kaguya é muito mais que um filme.

Bloom, Beach House



Existem álbuns que te capturam lentamente, outros, bem mais raros, te capturam de imediato, logo nos primeiros segundos. Bloom, do duo Beach House, é um desse segundo tipo. Uma nebulosa atmosfera de dream pop é a peça principal dessas faixas. Foi difícil não deixar-se hipnotizar pelos sintetizadores dos anos 80, pelas melodias agradáveis e ecoantes ou mesmo pela bateria acolhedora. E já hipnotizado, passei a consumir as 10 faixas que compõe o álbum rotineiramente, numa espécie de ritual que limpava minha mente. Poucos álbuns possuem esse poder sobre mim, o que tornou-o uma peça obrigatória em minha coleção.
 

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