
A escuridão é algo bastante curioso. Geralmente, é a noite que encontramos paz, mas, mais frequentemente, é durante as horas de escuridão que todas as coisas perdem sua forma. Ao tornarem-se disformes, elas fazem nossos olhos perderem suas funções; concentramo-nos, então, em experiências internas como o pensamento, a reflexão e os sonhos. A escuridão, no entanto, abre portas para um sentimento bastante poderoso: o medo. Dizem que o medo é uma das mais maravilhosas características de nossa evolução, nos pondo em alerta acerca de um perigo iminente, mas também transforma, tal como a escuridão, as coisas ao nosso redor. De repente, o simples ranger no assoalho é moldado por nossas mentes como a invasão de um intruso ou de peripécias sobrenaturais. É um tanto ilógico sentirmos medo no escuro, pois além da falta de luminosidade, nada, de fato, mudou no ambiente ao redor. Porém, a falta de luminosidade em si cria uma sensação de desconhecimento, mesmo que você saiba onda cada coisa está; o fato de não ver o suficiente nos coloca numa situação completamente primitiva, desarma-nos ao mesmo tempo em que aflora todos os nossos sentidos. A lógica deixa de importar e o instinto toma conta de nossos corpos.









