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Cinco músicas clássicas que mudarão seus conceitos



O “gosto particular” certamente é algo que varia conforme cultura, idade e qualquer outro critério que identifique um grupo. A música, por sua vez, dentre todos os objetos de gosto, é a que mais varia, que mais oscila e que mais discrepa. Todo e qualquer gosto particular é perfeitamente legítimo, ou seja, se você gosta de Tati Quebra-Barraco, de André Rieu (até porque nem tem muita diferença entre eles), ou mesmo de Rita Lee: está tudo certo.

Introduzindo: FKA Twigs




Provavelmente você já viu ou ouviu esse nome em algum lugar, mas talvez não pelo motivo correto. Em 2014, FKA Twigs tomou os tabloides por estar namorando o Robert Pattinson, mas não é disso que vim falar. Também em 2014, Twigs lançou um dos álbuns mais interessantes daquele ano. Após seu elogiadíssimo EP2, Twigs lança um álbum maduro, moderno e intenso. Frequentemente associada ao experimental, Twigs não poupa esforços para torcer e distorcer seus arranjos eletrônicos e isso, aliado a sua belíssima voz, resulta numa experiência extraordinária. Portanto, vim provar hoje que não é tão difícil degustar o R&B desconstruído da FKA. Se você estiver disposto a embarcar nessa comigo, prometo que não irá se arrepender. Minha dica principal é: não tenha pressa. Relaxe e ouça com calma.

9 Clipes da Björk que você deveria ver


Björk é, desde o começo da carreira, uma das artistas contemporâneas mais interessantes que já surgiram no mundo da música. Aliando inovação, conceito, técnica e lirismo criou uma musicografia impressionante durante sua carreira. Sem surpresa, seus videoclipes também seguiram o mesmo caminho.

Tomei a difícil tarefa de escolher, dentre as dezenas, nove clipes que foram importantes na carreira da cantora e que você, como bom amante da música e da arte, deve assistir (se já não assistiu). Sei que listas nunca são justas, ainda mais tratando-se de uma artista tão vasta como a Björk, então você me perdoe de antemão por não ter inserido algum clipe que julgue importante. Vamos lá?

Rebel Heart, Madonna

Após mais de 30 anos de carreira, algumas obras-primas e polêmicas lançadas, Madonna retorna ao universo musical com seu décimo quarto álbum intitulado “Rebel Heart”. Com a colaboração de diversos produtores e estilos diferentes, Madonna orquestra uma verdadeira salada musical, onde incrivelmente consegue soar concisa e estruturada. Conhecida por sua mão-de-ferro, foco e perfeccionismo, a artista faz transbordar suas melhores qualidades em seu novo álbum.

Honeymoon, Lana Del Rey








Talvez seja arriscado para um artista lançar um álbum de músicas inéditas apenas um ano após seu último trabalho, mas Lana Del Rey se jogou de cabeça em seu projeto. Em suas próprias palavras, "Honeymoon é um álbum retrô e futurista", numa tímida insinuação que voltaria às raízes de seu álbum de "estreia", Born to Die, mas não foi realmente o que aconteceu. O que Lana despeja nas 14 faixas é uma crua continuação de "Ultraviolence", com criações densas e letras intimistas, revelando seus medos e tristezas.
"Nós dois sabemos que não é agradável me amar."

Guelã, Maria Gadú



"Me encontro em feliz nova era."

Curioso e experimental, o novo álbum de Gadú capta, com bastante ousadia, alguns sons que ainda não se encontravam em seu repertório típico da mpb. Bem se sabe que, no início de sua carreira, Gadú apresentou músicas para a grande massa, conquistando seu público, sendo a maior parte dele composta por jovens. Ficou mais conhecida ainda entrando em uma trilha ou outra de novela, mas hoje ela tem confiança o suficiente para dar a seus fãs um trabalho bruto e inexplorado.

X (Multiply), Ed Sheeran






A primeira coisa que você precisa saber é que eu não gosto de Ed Sheeran, ou melhor, não gostava até algumas horas atrás. A única coisa que me agradava no trabalho dele era o single "Give me love". Foi somente depois de notar um amigo ouvindo o tempo todo o álbum aqui debatido que resolvi dar uma chance à música e me apaixonei pelo estilo do Rony Weasley, ops, ruivinho. Graças a uma rápida visualizada na discografia do Ed, sei que ele gravou uma série de EP's e um álbum intitulado "+''. O trabalho foi aclamado pela crítica e adorado pelos fãs, tendo rendido uma indicação ao Grammy por "Canção do ano" com "The A Team", mas acabou perdendo para a banda Fun. e sua ótima "We Are Young".

Smoke + Mirrors, Imagine Dragons




Lançado dois anos após o "Night Visions", o segundo álbum da banda liderada por Dan Reynolds traz uma imagem bem diferente da que os fãs estavam acostumados. Mesmo que todos saibam que o Imagine Dragons não tem nenhuma dificuldade em variar o repertório, "Smoke + Mirrors" foi uma surpresa, para a maioria, positiva, mas negativa para todos. 

Afastando-se de seu visual um pouco sombrio, o álbum carrega uma sonoridade quase ensolarada e o primeiro single divulgado, "I Bet My Life" foi comparado a outras bandas alternativas. Mas tudo para por aí.

The Archandroid, Janelle Monáe

Dois anos após fazer a crítica musical render-se ao seu excelente EP debutMetropolis: The Chaise Suite I”, Janelle Monaé retorna em 2012 arrebatando o universo musical com mais dois capítulos de seu argumento no álbum “The Archandroid”. Além de um disco excelente, o álbum propõe uma experiencia musical vasta, rica e profunda. Um misto de estilos que se conectam de uma maneira extraordinária, cujas influências vão desde de Fritz Lang a Philip K. Dick, de Michael Jackson a David Bowie. Uma coleção fantástica de sentimentos que resultou num álbum bem trabalhado, conciso e cativante.

O Teatro Mágico - Discografia: Parte 2



“O Teatro Mágico”, grupo de Osasco, SP, é um dos meus favoritos e não pôde ser resumido em apenas uma resenha. Confira a PARTE I primeiro, ou então siga por aqui e talvez você se interesse pela outra parte depois.

Vamos ao terceiro álbum de estúdio, A Sociedade do Espetáculo (2011), que também possui 19 faixas e quase a mesma duração total de O Segundo Ato. A variação na duração de cada faixa cai bastante, para no máximo pouco mais de 5 minutos. A inspiração para esse álbum saiu de um filósofo francês, Guy Debord, que fez uma crítica à teoria sobre o consumo e a sociedade ocidental capitalista. Muitas músicas do CD tratam desse assunto, com elementos baseados em Karl Marx, Fidel Castro e Nelson Mandela - e Chapolim Colorado, mas vocês não contavam com a astúcia deles.

O Teatro Mágico - Discografia - Parte 1

















“Sem horas e sem dores, respeitável público pagão, bem vindos ao Teatro Mágico!”

O grupo foi formado em 2003, em Osasco, no estado de São Paulo, criado e idealizado por Fernando Anitelli (de Presidente Prudente), que acabou tornando-se, além da voz da banda, o rosto conhecido. A maquiagem adotada por ele nas apresentações e mesmo nos clipes está até no ônibus de turnê do grupo. O Teatro Mágico (TM) reúne elementos artísticos de todos os tipos, como o circo, o teatro, a música, a poesia, a literatura (Os nomes do grupo e do primeiro álbum foram inspirados pelo livro O Lobo da Estepe, de Hermann Hesse) e até a política. Além de reunir todos esses elementos, a música feita pelo grupo é muito ampla, com uma gama enorme de instrumentos musicais que não vemos com muita frequência por aí, como gaita, xilofone e bandolim. Conheci o grupo em 2009, quando ele já tinha se tornado bem famoso e feito várias participações em programas de televisão famosos e até em novelas.

Froot, Marina and the Diamonds



Com uma ácida ousadia, Marina and the Diamonds lança seu terceiro álbum de estúdio, ''FROOT'', sucessor de ''Electra Heart'', trabalho que lhe rendeu a maior (se não toda) visibilidade que hoje possui, não apenas nos EUA, mas em grande parte do mundo. Se em ''The Family Jewels'' a dona de ''Hollywood'' se apresenta com um pop excêntrico e até mesmo maçante em alguns momentos, no próximo capítulo de sua carreira já traz múltiplas facetas em um delicioso personagem, tão vivo que empresta seu nome ao projeto. ''Electra Heart'' é uma crítica ao sonho de milhares de garotas americanas, uma ânsia de ser famosa e adorada, mesmo que fosse o atual momento de Marina.

Bloom, Beach House



Existem álbuns que te capturam lentamente, outros, bem mais raros, te capturam de imediato, logo nos primeiros segundos. Bloom, do duo Beach House, é um desse segundo tipo. Uma nebulosa atmosfera de dream pop é a peça principal dessas faixas. Foi difícil não deixar-se hipnotizar pelos sintetizadores dos anos 80, pelas melodias agradáveis e ecoantes ou mesmo pela bateria acolhedora. E já hipnotizado, passei a consumir as 10 faixas que compõe o álbum rotineiramente, numa espécie de ritual que limpava minha mente. Poucos álbuns possuem esse poder sobre mim, o que tornou-o uma peça obrigatória em minha coleção.

Royal Blood, Royal Blood




No final do ano passado, tive a felicidade e surpresa de me deparar com um álbum musical de extrema qualidade e precisão. Royal Blood, álbum da banda britânica homônima, recoloca o rock sob os holofotes ao apresentar um som genuíno, com riff's pesados e muita personalidade. Entretanto, o que chama a atenção de muitos é o formato da banda: apenas dois componentes, um baixista-cantor e um baterista. O duo formado por Mike Kerr e Ben Thatcher explora várias vertentes do rock em seus fraseados, como blues rock e o hard rock, e possui uma "cara" de banda de garagem - com muita qualidade, claro. Apesar de todas as referências e influência, o resultado final é um rock moderno. Em meio à amalgama de distorções de pedais no baixo, que o deixam mais carregado, e uma bateria muito movimentada, com uma pegada muito grande na caixa, a falta de guitarras ou teclados passa despercebida. Na verdade, a presença qualquer instrumento além do baixo e da bateria, considerados a "cozinha" da música, se faz desnecessária.

Days Are Gone, Haim



Faz pouco tempo que conheci o trio formado pelas irmãs Haim, mas foi o suficiente para sentir a vibração de cada música massacrada em seu álbum debut. Formado por Este, Danielle e Alana, o conjunto buscou uma mistura bem louca de inspirações para criar um trabalho atual, porém com um pé nas décadas passadas. Numa junção de pop, indie, folk e R&B, as meninas colocam tudo em tinta neon e jogam o que vem à mente para o ouvinte. Composições simples, letras sobre paixão, juventude e amor vão se desenrolando através das batidas e vozes harmonizadas.

Fever Ray, Fever Ray


Em muitas andanças minhas pelo mundo da música encontrei muita coisa boa e memorável. Numa delas deparei-me com um álbum de sonoridade estranha. Demorei para digeri-lo talvez por imaturidade musical ou simplesmente porque eu não estava preparado para o álbum. No entanto, pouco tempo depois fui fisgado e após 6 anos de seu lançamento, o debut homônimo de Fever Ray se firma como um grande clássico da minha vida. 



Karin Elisabeth, ou Fever Ray, começou sua carreira ao lado do irmão no duo The Knife, construindo lá sua base musical. Em “Fever Ray” nota-se a herança com rapidez, porém desta vez numa construção mais íntima e minimalista. Como num resgate ao Kraftwerk, Karin buscou em seu disco trazer uma reflexão, fazendo surgir sentimentos e emoções sutis a partir de uma base quase que completamente eletrônica. O lírico permeia o cotidiano numa ótica interessante e melancólica. Há uma forte presença ambiental que torna o álbum uma grande experiência imaginativa. Karin nos confessa sobre amor, sobre solidão, sobre o passado ou sobre o futuro cuja intenção é aprofundar o cotidiano e o comum. Reflete-se aí uma ansiedade moderna: A vida, dominada pela rotina, torna-se cada vez mais automática, fazendo ser necessário buscar de volta o controle sobre o trivial. Em reflexão, Karin mescla com maestria o novo e o velho, o moderno e o ancestral. Sintetizadores misturam-se com ritmos tribais, com tambores indígenas. No meio disso, há duas Karins em disputa, aquela dominada pela cotidiano e aquela que tenta se libertar. A dualidade torna-se a peça central desse álbum. Duas vozes se fazem presentes, uma vívida e aberta, outra obscura e fechada. Duelando entre si numa sinfonia onde o soturno e o singelo estão perfeitamente alinhados; onde o futuro encontra o passado e fazem o presente. Karin discute consigo e com sua persona antagônica sobre quem são, quem foram e quem serão. A intimidade musical e lírica torna-se pura poesia.



Em conexão com sua música, há uma grande teatralidade na artista que transcende para fora do próprio álbum. Fever Ray quase sempre está mascarada, pálida e fantasmagórica, como uma forma humana que vaga sem domínio ou controle pela vida. Um espírito preso à existência humana, porém sem pertencê-la. Novamente a dualidade se faz presente, onde o cotidiano e a vivência humana moderna se tornam opressores, impedindo que haja a real liberdade de escolha, criando uma padronização inescapável. Seu espírito busca consolo então no ancestralismo, recorre à conexão orgânica com o mundo, à natureza e ao tribal.



O grande duelo culmina na faixa de encerramento do álbum, Coconut, onde a construção progressiva cresce em um jogo de sintetizadores cansados que aos poucos deixam-se dominar pelo ritmo do orgânico. Um pio de coruja constantemente repetido durante a faixa apresenta a simbologia da sabedoria, mas também da morte. Como se ao concluir seu pensamento desenvolvido durante o álbum, parte de seu "eu" morre para acordar em uma nova existência. Fever Ray então desperta de sua reflexão e unifica seu espírito ao corpo. As duas vozes, antes antagônicas, cantam juntas como uma só. Fever Ray encerra seu álbum concluindo sua reflexão de modo abstrato, mas muito poderoso. Serão necessárias muitas audições para sentir o álbum como ele deve ser sentido. Sem dúvidas, o debut de Fever Ray firma-se como um grande álbum eletrônico e um clássico moderno que figura merecidamente em várias listas de melhores dos anos 2000. Um encontro de duas sonoridades diferentes e distantes efetuado com grande maestria e sentimento. Um álbum necessário, moderno, profundo e corajoso. Um álbum para se ouvir com atenção.

Playlist: Halloween

 


O dia mais obscuro do ano está chegando e preparamos uma playlist bem adequada para você curtir junto aos poltergeists, hipsters satânicos, caveiras falantes e demônios encubados que irão fazer a festa assustando criancinhas no Halloween. Prepare seu tabuleiro Ouija, ligue o som no máximo, desligue as luzes e acenda duas velas (pretas, de preferência) e vem com a gente, capiroto!

Lado A

O primeiro lado do espectro satânico musical, o mais orgânico e tradicional, é o bom e velho rock. Mais especificamente o metal e suas subvertentes, gênero que se desenvolveu nos anos 70 e se destaca pelo seu extremismo, o protagonismo da guitarra distorcida, vocais dramáticos e por tratar de temas polêmicos e soturnos dificilmente abordados em outros gêneros musicais.

Enter - Within Temptation
Subgênero: Metal Sinfônico



Um clássico subestimado! Enter, do primeiríssimo álbum de mesmo nome da banda Within Temptation, te convida à entrar no mundo dos belos vocais da Sharon den Adel contrapostos aos guturais característicos do Metal. Bela trilha-sonora para entrar numa casa amaldiçoada. Cuidado com demônios vingativos!

God is Dead - Black Sabath
Subgênero: Heavy metal



Falar de Metal e não falar de Black Sabbath é como não falar de Metal, fato! Uma das bandas que deu forma ao estilo, fez muitos clássicos ao longo de sua história. Um pacto realmente muito bem feito. Sugiro que você ouça com cuidado e aprenda com os caras, eles sabem o que estão fazendo. Você sabia que o Halloween é dia mais propício para realizar pactos com eficácia? Não esqueça de levar o grimório de São Cipriano para o ritual.

Master of Puppets - Metallica
Subgênero: Thrash Metal



Obedeça ao mestre! Yeah, pacto bem sucedido, agora você é uma marionete do satanás. Quanta honra, não? Metallica sabe muito bem como é essa sensação, a banda norte-americana teve também grande importância na construção do gênero, sobretudo no Thrash Metal, adicionando mais velocidade e agressividade à receita. Mas, ouvi boatos de que a banda resolveu voltar atrás com o pacto e adotou uma postura mais mainstream em seus últimos álbuns. Nunca faça isso se você não for uma lenda do rock.

Desolate - Hant
Subgênero: Doom metal



Meu espírito indie me fez descobrir essa música em uma das minhas muitas viagens ao YouTube. E eu a escolhi como a representante do Doom metal, a subvertente mais depressiva e atmosférica do metal, até porque nem tudo são flores quando se faz pacto. Seus temas englobam tudo o que há de feliz como a morte, a depressão e o suicídio. Excelente escolha para um after party gótico após a noite de Halloween.

Black Metal Baptism - Behexen
Subgênero: Black metal



Para finalizar o lado A, não poderia faltar a vertente assumidamente satânica do Metal. Oh Yeah! A vertente não poupa em agressividade, e louvam ao senhor do escuro como se não houvesse amanhã (talvez não haja mesmo). Behexen é uma de suas maiores representantes, e, como bônus, deixarei vocês batizados no Black metal. Prometo que depois dessa música, vocês estarão aptos à sentar na cabine presidencial do Lorde das Trevas quando chegarem ao Inferno. Recepção premium!

Lado B

A segunda parte do espectro satânico musical da nossa playlist é marcada pelo movimento eletrônico iniciado no final dos anos 80, pelo uso abusivo de sintetizadores e o espírito transcendentalista, o maravilho Trance. Agora, Satanás vai te seduzir com batidas pulsantes e melodias avassaladoras. Esteja bem equipado com fones-de-ouvido extra-bass, porque Beuzebu não brinca em serviço.

Hipnotic Control - Talamasca
Subgênero: Psytrance



Veterano do Psytrance, gênero que cresceu na índia e Israel, Talamasca é um servo do diabo que não poupa em suas batidas profundas e brutais. Deixe-se levar pelos sintetizadores distorcidos, pela atmosfera obscura e transcendental. Em poucos minutos você esquecerá sua identidade e será transportado para uma rave infernal. Dizem que Satanás faz raves inesquecíveis no Halloween.

Return of The Shadows - Infected Mushroom
Subgênero: Psytrance



Um dos grupos que mais contribuiu para a construção do gênero em seus mais de 15 anos de carreira. Em seus primeiros discos, construiu tracks trabalhadas em várias camadas, proporcionando uma profunda imersão, algo que, infelizmente, foi se perdendo ao longo da carreira, tornando o grupo mais mainstream. Acho que é mal de "Metallica". Return Of The Shadows é um hino oldschool do gênero que não pode faltar na sua rave satânica.

Cognetive Insident - Azax Syndrom
Subgênero: Dark trance



Dark trance é o Black metal da música eletrônica. A batida ácida e pulsante é bastante agressiva e rápida, a velocidade pode variar de 140 BPM a 200 BPM. Com Cognetive Insident você será transportado para um futuro dominado por máquinas possuídas que querem destruir a raça humana no Halloween. Eu espero que você esteja bem equipado com sua metralhadora de raio-lazer desintegralizador. Não deixe a Matrix dominar você.

Warning - Noiseful-x
Subgênero: EBM



Saindo da zona do Trance, vamos ao Industrial, sobretudo ao EBM. Outro gênero dark da música eletrônica. Agressivo de alma, noturno de coração, EBM é o amor dos cybergóticos. É a grande estrela das raves underground de galpão, onde a fauna humana é riquíssima. Você encontrará, dentre outros espécimes, vampiros, cyborgs, possuídos, feiticeiros e hipsters. Cuidado ao colocar EBM em sua casa, você corre o risco de atrair poltergeists.

Keep The Streets Empty For Me - Fever Ray
Subgênero: Synthpop



Amanheceu o dia 1º de novembro, você assustou criancinhas, fez pactos, dançou com satanás, jogou Ouija com os amigos, ficou possuído por espíritos vingativos. O Halloween é sempre memorável, agora você sente um vazio no peito e terá que esperar um ano inteiro para ser satânico novamente. Deixe o Metal, Trance e o EBM de lado e venha afogar-se no synthpop obscuro da Fever Ray. Em um clima pós-apocalíptico, Keep The Streets Empty For Me fecha a nossa playlist satânica de Halloween. Guarde seu tabuleiro, suas velas pretas, devolva a galinha preta para o seu vizinho e até o próximo post satânico de Halloween.

A Town Called Paradise, Tiësto

Depois de quase 5 anos sem lançar um álbum, Tiësto (ou DJ Tiësto para os conservadores) nos mostra seu mais novo trabalho: A Town Called Paradise. Ele fez história como produtor de trance e hoje ganha seu espaço na música pop, firmando-se cada vez mais como um dos maiores produtores de música eletrônica de todos os tempos. Os saudosistas lamentam a mudança de ares e os otimistas veem essa nova fase como uma evolução. Um homem que lançou eternos hinos da música eletrônica, que mudou completamente o cenário trance e influenciou uma geração de novos produtores, esse é Tiësto. Então, diante de tamanha grandiosidade, o que devemos esperar de A Town Called Paradise?

Para aqueles que acompanham sua jornada, não é novidade e já era esperado que o Tiësto se lançasse como um produtor de música pop. Mesmo em seu primeiro álbum já podíamos sentir essa pegada comercial em músicas como In My Memory e Close To You. No álbum seguinte, hits como Love Comes Again e Just Be conseguiram atingir um status pop mesmo sendo construções trance. E esses feitos se repetiram em seus álbums seguintes, até que chegamos em A Town Called Paradise, onde não há apenas um ou outro hit pop, mas um álbum inteiro composto deles. Aqui reencontramos parcerias de sucesso como o Christian Burns e Krewella em Shimmer e Set Yourself Free, respectivamente, e outras novas, mas não menos interessantes, como Icona Pop e Hardwell. 



Então é isso: Tiësto mudou mesmo. Haverá momentos em que você achará que está ouvindo uma música do Calvin Harris ou Avicii, mas mesmo estas falsas impressões não escondem a essência fundamental da música do Tiësto. Anos de experiência na produção de músicas muito bem elaboradas ofereceu um grande diferencial para o produtor, que não apenas produz músicas vendáveis, mas músicas vendáveis com uma produção experiente e certeira. Afinal, o trance propõe que o ouvinte entre em estado de êxtase apenas através da música, e o Tiësto, com suas inúmeras produções que faz arrepiar até o mais duro coração, trouxe essa essência para o mundo pop. Há faixas poderosas que mesclam um trance com hardstyle em formato mainstream como Can’t Forget e Echoes, como também há faixas feitas para estourarem imediatamente nas rádios e alcançarem boas alturas nos charts como os singles Red Lights e Wasted.



Se você, como eu, é um grande fã desse mestre e esperou um álbum pure trance, aconselho veemente que guarde suas lembranças dos velhos tempos com muito carinho. Aqui não há mais Nyana, Lethal Industry, Ten Seconds Before Sunrise, Adagio For Strings, Kaleidoscope, e outros tantos exemplos de produções magníficas, elas ficaram no passado. Mas se você gostou de produções como In The Dark, Escape Me, Knock You Out ou Sweet Things irá se deliciar com A Town Called Paradise, um álbum eletrônico pop conciso, bem construído, que leva a marca e a essência de um dos maiores expoentes da música eletrônica. Em sua nova trajetória DJ Tiësto não decepciona, mesmo que a nostalgia desampare os fãs saudosistas de vez em quando.

Ultraviolence, Lana Del Rey






"Ele me machucou, mas senti como amor verdadeiro."
Com um álbum rodeado por sombras, Lana Del Rey volta surpreendendo o cenário musical. Consagrada em "Born To Die", a intérprete de "Blue Jeans" deixou a preguiça de lado e arregaçou as mangas (e a garganta) em suas novas canções. Ajudada por Dan Auerbach (The Black Keys), Lana usou e abusou de seu vocal na produção, indo do agudo ao grave em questão de segundos deliciosos e psicodélicos.



O título do trabalho é uma clara referência ao romance "Laranja Mecânica", onde o protagonista vive pela e para a violência, ao qual chama "ultraviolência" com seus camaradas. Esse mesmo protagonista é insano e cruel, destrutivo, e apaixonado por música clássica. Mas após uma experiência passa a odiar essas mesmas canções, pela dor que elas o causam. Da mesma forma é Lana, todos sabemos que ela já passou pelo álcool, pelas drogas, pelo sexo precoce, e ela também é autodestrutiva. E é toda essa obscuridade que engrena o excelente lançamento. Loucura, desilusão, perdas, dinheiro, drogas, violência pontuam cada faixa de um extremo a outro.

"Cruel world" não poderia ser substituída por nenhuma outra para abrir o disco. Perdida em um amor abandonado, a melodia ultrapassa os limites da gravidade, em um refrão metalizado, suave e sedutor.

Você é jovem, é selvagem, é livre
Você dançando em volta de mim
Você é perfeito para caralho

As delirantes oscilações continuam no decorrer do tempo, sensuais, bem marcadas, em arranjos de arrepiar todos os pelos do corpo. Uma das poucas que fogem a toda depressão é a baladinha "Brooklyn Baby", com nuances românticas e leves. Talvez seja para contrapor as perigosas "West Coast", "Sad Girl" e "Pretty When You Cry" que veem em seguida. Esta última citada é a mais deprimente de todas (e já quero um clipe à la Ride, porque sim) e é o tipo ideal de música para se ouvir degustando uma boa taça de vinho enquanto chora as mágoas de um péssimo romance. Somos arrastados por delicados acordes ao glamour exaltado em letras sobre dinheiro, poder, fama e luxúria e um excelente cover de "The Other Woman" para finalizar, criando toda uma atmosfera de anos 50.

Em suma, Del Rey deu a cara para bater com esse disco. Amada por uns e odiada por outros, ela saiu de sua zona de conforto e nos deu mais do que canções sobre homens mais velhos com dinheiro para suas novinhas. Ela nos violentou com composições cruas e sinceras sobre sua vida. Lana canta seus demônios mais autorais em cada verso poético.



Podem pegar um cigarro, um Whisky, sentar na varanda durante uma noite fria e apreciar cada linha dessa ultraviolência. Lana ainda tem muito para nos mostrar, para amadurecer, ela só está no início de sua promissora e brilhante carreira. Diferente de outras do cenário atual do "pop" e "rock indie", ela tem conteúdo, ousadia e, o principal, talento sem precisar se explorar erroneamente. Bem provável que ela será a voz desta geração.

Playlist Horrorshow #1



Nosso primeiro playlist marca a abertura de um novo setor no blog, onde estilos novos e diferentes serão apresentados aos nossos leitores. Este é sobre música, mas logo virão postagens com dicas de livros e filmes. Aguardem!

#05. "Why Won't You Make Up Your Mind?" - Tame Impala
Rock psicodélico
Para quem gosta de: Pink Floyd, MGMT 




Why Won't You Make Up Your Mind? foi um dos singles do álbum debut InnerSpeaker da banda australiana Tame Impala. A música possui uns acordes de guitarra que criam um clima hipnótico e misterioso, proporcionando a sensação de estar num ambiente espacial. A letra é simples e cantada numa voz cheia de ecos e com delay.

#04. How Deep Is Your Love - The Rapture

Rock indie, Post-punk, Discopunk, Eletrônica
Para quem gosta de: LCD Soundsystem, Cut Copy, Metronomy


How Deep Is Your Love foi um dos singles do álbum In The Grace of Your Love da banda The Rapture. É sobre um repetitivo (e viciante) sample de piano que a música é construída. O clima animado e dançante da música cria o seu apelo pop, tornando a música capaz de ficar um longo período no replay do seu player.

#03. Solid Ground - PNAU
Eletro-house, dance
Para quem gosta de: Empire of The Sun, Cut Copy


Solid Ground foi um dos singles do álbum Soft Universe da banda PNAU. Essa banda tem toda uma produção voltada à música eletrônica, criando músicas que vão direto para os clubes. Solid Ground é uma músico pop com tudo o que tem direito e de qualidade, apesar de ter obtido pouco sucesso comercial. 

#02. Homecoming Heroes - The Head and the Heart
Folk-rock indie
Para quem gosta de: Of Monsters and Men, The Lumminers


Homecoming Heroes é uma música do álbum Let's Be Still da banda The Head and the Heart. É uma produção folk-rock familiar e bem agradável, daquelas que passam a sensação de bem estar. O refrão possui uma melodia e instrumental que são quase um lugar-comum da música folk, mas mesmo assim não deixa de ser uma boa música.

#01. Sacrilege - Yeah Yeah Yeahs
Art Punk, Rock indie
Para quem gosta de: PJ Harvey, Arcade Fire


Sacrilege foi o primeiro single do álbum Mosquito da bem conhecida banda Yeah Yeah Yeahs. Essa música marca o retorno da banda depois do estrondoso sucesso de seu álbum antecessor. Sacrilege é uma música poderosa e, certamente, deve-se parar para escutá-la. O seu tema central é o pecado, o que fez intuitivamente a banda pegar emprestado algumas características de músicas religiosas para produzir esta.

 

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