Existem álbuns que te capturam lentamente, outros, bem mais raros, te capturam de imediato, logo nos primeiros segundos. Bloom, do duo Beach House, é um desse segundo tipo. Uma nebulosa atmosfera de dream pop é a peça principal dessas faixas. Foi difícil não deixar-se hipnotizar pelos sintetizadores dos anos 80, pelas melodias agradáveis e ecoantes ou mesmo pela bateria acolhedora. E já hipnotizado, passei a consumir as 10 faixas que compõe o álbum rotineiramente, numa espécie de ritual que limpava minha mente. Poucos álbuns possuem esse poder sobre mim, o que tornou-o uma peça obrigatória em minha coleção.
A imersão característica do dream pop foi perfeitamente executada pelo duo que já estava trabalhando o gênero em seu álbuns antecessores. A faixa de abertura de Bloom, Myth, se abre logo nos primeiros segundos ao ouvinte com sublimes notas de guitarra, hipnotizando-o com sua atmosfera mágica e envolvente. E isso se repete em todas as faixas, proporcionando uma viagem delicada e gostosa. É muito fácil se perder em lembranças e pensamentos causados pelos instrumentais nostálgicos e melodias profundas, além do lirismo encantador. Entretanto, Bloom é como uma grande calmaria no mar, não há tempestades arrepiantes ou movimentos bruscos, é sempre como uma leve brisa no rosto, portanto não é uma boa opção para quem busca uma aventura musical cheia de picos. Bloom é um álbum musicalmente bonito, mágico e espectral, mas nunca energético.
Beach House resgatou uma fórmula um pouco esquecida na música do século 21, a execução perfeita de um gênero oitentista, cuja sonoridade estava aparentemente datada, foi o suficiente para fazer surgir uma onda de renovação no gênero. Bloom se tornou um dos álbuns mais vendidos da história do gênero, provando que música pode ser sim atemporal, mesmo que pareça ultrapassada, independente de seu gênero. Tudo dependerá da execução, mas, além do que isso, dependerá também da criatividade de quem se propõe ao trabalho.
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