Deuses do Egito, Alex Proyas


O retorno de Alex Proyas (Presságio, Eu, Robô) ao cinema não poderia ser mais conturbado. Claro, seus filmes nunca foram obras primas, mas vez ou outra cativavam um público fiel e que o defendia com unhas e dentes. Isso que não deve acontecer com Deuses do Egito, entrando em sua segunda semana de exibição no circuito nacional. Com um roteiro extremamente pedestre, uma direção de arte que não sabe muito bem para onde caminha e escolhas extremamente duvidosas de produção e roteiro, a obra mais parece um remendo do roteiro de “Os Dez Mandamentos” com um toque de “Power Rangers”.


O longa se dedica a contar a história da guerra pelo trono do Egito entre Hórus - Nikolaj Coster-Waldau, que parece não fugir de uma boa disputa por tronos -, filho do deus Osiris, e seu tio Set, Gerard Butler, que depois de uns 40 minutos de filme, não parece mais preocupado em entregar nada. Na mitologia sob a qual o roteiro se sustenta, os deuses do Egito desceram a Terra e vivem entre os humanos, governando-os e tornando o Egito uma terra próspera e boa de viver. Tão próspera que, inclusive, em nada lembra o Egito ao qual estamos acostumados a ver em produções do tipo ou mesmo em livros de histórias, o que já começa comprometendo a verossimilhança da trama a ser contada.

Mas esse é o menor dos problemas de Deuses do Egito. A duvidosa direção de Proyas, talvez, seja o principal defeito. Aliada a uma edição que mais parece um primeiro corte, o desastre é completo: Movimentos de câmera confusos (que chegaram a me dar enjoo), batalhas coreografadas demais e estranhas (um pecado para um filme que se propõe a ser um épico) e algumas escolhas de produção bizarras, como a de representar todos os deuses como figuras bem maiores do que os humanos. A ideia é boa; o resultado, em tela, foi desastroso. Os efeitos visuais também não ajudam, especialmente quando os deuses se vestem de suas ”armaduras” e abrem suas asas.

O roteiro, assinado por Matt Sazama e Burk Sharpless (A dupla responsável por outros dois clássicos modernos: Drácula – A História Não Contada e O Último Caçador de Bruxas) é um problema por apresentar soluções fáceis e cair na previsibilidade antes mesmo do findar do primeiro ato da produção. Contudo, se algo pode ser elogiado, é a tentativa (ainda que falha) de conferir tridimensionalidade a personagens que, por tendência, seriam maniqueístas, como Hórus e seu companheiro de jornada, Bek, Brenton Thwaites, totalmente perdido. Ambos têm atitudes heroicas e egoístas e, por mais que no final tudo desague no esperado, constroem a relação que, se não salva, ao menos torna as injustificáveis 2 horas de produção menos insuportáveis.

Contudo, nada – nada – justifica o clímax atingido no terceiro ato. Se, até então, o filme se mostrava divertido, mesmo no meio de tudo de errado que ali havia, quando atinge seu ápice, a coisa é simplesmente errada, de todas as formas possíveis. Lutas que parecem saídas de um episódio ruim de Cavaleiros de Zodíaco (com direito a asas e tudo), atuações marcadas por caras e bocas, conveniências de roteiro incômodas e um desfecho perdido entre a intenção de ser romântico e de ser épico – o que o faz não ser nenhum dos dois.

A produção ainda toma certos cuidados no que concerne a mitologia egípcia na qual a história é baseada. Mas é um cuidado com uma obra que não o merecia. É como quando você está ajudando o pior aluno da classe, aquele que não quer ser ajudado, a estudar para uma prova final: você até faz bem a sua parte, mas sabe que, no final, não importa muito: o resultado continua desastroso.

Vida que segue, que venham os próximos “grandes épicos históricos”. A depender da leva que estamos tendo (Olá, Pompéia. Olá, Hércules), mal posso esperar.

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