

Tímido e despretensioso, Still Alice (me recuso a usar essa tradução horrível) chegou ao circuito sem muito hype em volta. A falta de marketing exagerado faz com que o espectador vá ver o filme sem muitas expectativas e qualquer filme acima da média o deixa surpreso, mas quando o filme é muito acima da média, deixa todos espantados com a qualidade obtida. Esse é um grande exemplo.
Alice é uma professora universitária que sofre de Alzheimer precoce. Condição possível, embora muito rara. Ironicamente, ela é uma estudiosa do desenvolvimento cerebral humano. Alice está no auge de sua carreira quando começa a ter alguns sintomas da doença, ainda que ela não faça a relação de imediato. Após algumas consultas, intercaladas com episódios de esquecimento repentino, o diagnóstico é racionalmente recebido, sem aquela procissão de choro que geralmente os filmes criam para provocar tristeza em quem assiste. Alice então se prepara para viver com a perda de memória: anota bilhetes no celular e faz exercícios de memória. O ponto alto da história começa quando ela deixa um vídeo para si mesma, gravado em seu computador, onde dá instruções para uma futura debilitada ela mesma de como cometer suicídio e evitar seu próprio sofrimento. A colocação desse vídeo na história e a relação que se espera dele é, de uma forma distorcida, lindo.








