Batman – O Cavaleiro das Trevas, Frank Miller



Quem conhece quadrinhos – mesmo que não leia Batman, ou até mesmo não goste da DC – já ouviu falar do ápice das HQ’s, o suprassumo dos heróis: O Cavaleiro das Trevas. Não é à toa que é o título que leva o mais aclamado filme da Trilogia de Christopher Nolan, além de ter sido adaptado por Zack Snyder em Batman vs Superman – A Origem da Justiça, mesmo que não tenha sido completamente fiel. Após muito tempo sofrendo em mãos de roteiristas, Batman finalmente ganha, nas mãos de Frank Miller, a história que o definiu como O Cavaleiro das Trevas que conhecemos hoje em dia.

Batman sumiu. Não apenas ele como todos os heróis, por 10 anos. Não se sabe ao certo o porquê do desaparecimento dos super-humanos, porém o mundo seguiu em frente, caoticamente. O Homem Morcego não passa de uma lenda para algumas pessoas e agora existe apenas Bruce Wayne em sua mansão. Pelo menos era o esperado. Após uma onda de crimes por um grupo que se denominam “Mutantes”, a capa de Batman é vestida pela primeira vez em uma década. Bruce, com 50 anos, retoma sua personalidade sombria para tentar impedir que os Mutantes tomem conta de Gotham City.

Quem já leu a minissérie sabe que O Cavaleiro das Trevas é muito mais do que apenas uma história de heróis em uma realidade paralela após a decadência. Aqui temos a sátira crítica e inteligente de Frank Miller agindo mais uma vez. Todo o sumiço e reaparecimento de Batman é contado por meio de programas de notícias e manchetes, com uma enorme repercussão, mostrando toda a manipulação e espetacularização da mídia. Além disso, vamos para âmbitos mais políticos, como, por exemplo, debates sobre o ressurgimento do Morcego: foi uma boa ideia? Será que o número de criminosos não era menor antes do Batman? Com sua aparição, não só aumentou o número de criminosos, mas também o número de justiceiros.

Batman está mais violento do que nunca. A sua personalidade já está esgotada e impaciente, não tem mais meio termo. Poderíamos dizer que Bruce Wayne adquiriu a ideologia de que “bandido bom é bandido morto”. Então, ele busca limpar os erros do passado. Com isso, eu quero dizer consertar o seu maior erro, que foi cometido incontáveis vezes: deixar o Coringa vivo. O meu único ponto negativo em relação à história é o fato de o Batman matar alguns criminosos no decorrer da trama, pois isso tira o impacto causado pelo Coringa. O Coringa sempre tentou fazer o Batman quebrar o limiar que separava os dois: ser capaz de assassinar. Se ele não tivesse matado ninguém, isso potencializaria o seu ato final com o Palhaço do Crime.

É claro, não podemos deixar de comentar sobre o maior e mais aguardado embate da história dos quadrinhos: Batman Vs Superman. Toda a sequência é construída brilhantemente, sempre destacando as divergências entre Bruce e Clark, e como ambos sabiam que, em algum momento, haveria um embate final entre os dois. A conclusão pode ser vista tanto no filme do Snyder quanto na incrível animação inspirada fielmente no quadrinho.

O Cavaleiro das Trevas é uma das melhores (se não a melhor) histórias já escritas nos quadrinhos. A sátira política, o amadurecimento dos personagens e sua retomada à vida de herói são apenas algumas coisas que tornaram essa HQ uma das mais aclamadas e que definiu uma nova era no mundo dos quadrinhos e, claro, do Homem Morcego.

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