Condicional, Paulo Sérgio Moraes




Eu tenho uma história legal sobre esse livro: A forma como ganhei ele. Eu estava participando de um debate num grupo de leitura no Facebook, quando acabei chamando a atenção do Paulo Sérgio, autor do livro. De repente, o Paulo resolveu presentear uma amiga e eu com o seu livro “Condicional”. Foi uma situação inusitada e prazerosa, afinal não é toda dia que se ganha um presente de um desconhecido, ainda mais sendo um livro. Um bom livro, por sinal.

É 1997, em São Paulo, e é na comemoração de sua formatura em administração que começa a história de Lucas. Um rapaz inteligente, bonito e com uma personalidade digamos... um pouco ácida. Porém, seguir na carreira não é bem o plano do jovem, que quer ser um fotógrafo de sucesso. Mas o dia ainda não tinha nem começado e logo sua vida tem uma reviravolta que deixará sequelas por toda sua existência.
"Eu até curtia culpar o acaso, mas precisei ceder e entender que nada tem a ver com predestinação. Existe escolha. Existe reflexo da escolha. Ah, e também existe o tempo que liga uma coisa a outra."
A dedicatória que veio com o livro dizia: “Arthur, que o amor seja incondicional e nunca uma condenação!”. Pois é, dizem que o amor é cego, não é? E é justamente nesse ditado que Lucas se perde. Ele apaixona-se por um criminoso, porém essa paixão além de corroê-lo, também prejudica seus relacionamentos, sobretudo com seus amigos mais próximos. Para leitores que gostam de bons tramas psicológicos, poderiam deduzir que a paixão do Lucas foi uma síndrome psicológica, como aquela em que as vítimas se apaixonam por seus sequestradores. Ou que a paixão que se desenvolveu foi uma atração física tão forte que poderia perdurar por anos a fio, confundindo-se com amor. Amor, sentimento este que duvido muito que tenha acontecido. Mas essas especulações acerca do livro são um reflexo nada mais de uma construção psicológica bem consistente. Detalhe este o mais proeminente do livro. A personalidade do Lucas é forte, cheia de conceitos sobre si e sobre o mundo, o seu egocentrismo exacerbado parece ser uma reação de defesa à motivos, talvez, superficiais, o seu distanciamento consciente de seus amigos o faz cometer ações que prejudicam a todos. Ele construiu um mundo próprio dentro de si, onde seus desejos predominam, mesmo que seja tarde da noite e corra risco de vida. Suspeito que tal aprofundamento psicológico teve um espelho real, pois Lucas parece real, vivo.
"Olhando para o Lucas que gosto de ser, apresento-me no papel daquela que gosta de seduzir e curtir com um cara que não encha o saco depois. Estou tão certo que não há nada melhor que isso, que me posiciono e jogo limpo."
Muito blábláblá em relação à Lucas, se ele existisse estaria adorando esse falatório. “Bem ou mal, mas falem de mim.” Não poderia deixar de mencionar outros 2 personagens que aparecem pouco, mas são marcantes. E também com personalidades consistentes, vozes próprias. É quase possível ouvir, em cada diálogo, e notar a diferença nas vozes quando cada um entra em cena. Vitor é o melhor amigo do Lucas e parece ser a personalidade antagonista. Como o Yin-Yang. Vitor é o moço bom, aquele para casar e até que ele tentou. E o Lucas, bom... eu não iria gostar muito de tê-lo como amigo. Também temos a efusiva Thaís, que parece ter saído dos meus sonhos. Garota animada e parece ser bem determinada, mas sua personalidade careceu de mais ações, acho mesmo que ela deveria ter aparecido mais. Mas sabe como é, quem manda é o autor. 

Lendo agora a resenha, parece que não deixei bem claro o tema do livro. E para mim, o tema do livro parece ser: Até onde você iria por uma promessa de amor? E eu também não disse por quem Lucas se apaixona, mas acreditem, esse cara é muito problemático. Jota é seu nome e parece ser extremamente improvável que um rapaz como Lucas se apaixonasse por um cara como ele. Mas, repito (e quem já sentiu sabe), o amor é cego mesmo. Deixo que você descobra por si só quem é o Jota.
"Em tão poucos meses seria possível desenvolver um sentimento eterno por outra pessoa? Sempre me perguntava isso, a resposta era sempre a mesma: não."
A leitura do livro vale muito a pena. E ele representa muito mais do que uma história de amor conturbada, mas é um belíssimo e moderno exemplar de uma literatura florescente. A literatura GLS parece se fortificar a cada dia, e talvez seja porque existem pessoas que querem contar histórias, mas, mais importante ainda, existem pessoas que querem ler e se identificam com essas histórias. O mundo GLS não deve ser segregado, mas viver em conjunto como uma faceta multicultural que possui suas próprias nuances. Esse mundo possui sentidos pouco explorados e a literatura é um meio extraordinário para que mais pessoas conheçam e desmistifiquem os conceitos pré-estabelecidos de suas mentes. Pois se o amor é cego, ele também não conhece limites.

1 comentários:

  1. Obrigado pela resenha e parabéns por escrever tão bem, Arthur!!!

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