Meu nome é Meriam, Antonella Napoli




A história de Meriam é conhecida de todos que acompanham as numerosas notícias sobre as disputas entre religião e estado. Condenada à morte por ser cristã, Meriam sobreviveu à última instância de julgamento por conta de uma intervenção do tribunal do Sudão, o mesmo que havia expedido a sentença e que cedeu graças aos mais diversos tipos de pressão internacional, midiático, religioso e político.

Meriam vive hoje em Roma com sua família e se tornou um símbolo contemporâneo da necessidade de se rediscutir a intolerância religiosa. O mais interessante na obra de Antonella Napoli, jornalista italiana, é notar como o processo se deu, como o percurso foi conturbado e como somente por questões técnicas Meriam escapou da morte. 

Ao ler a história de Meriam na perspectiva de Antonella, pensei várias vezes nos processos inquisitoriais e na “Carta sobre a tolerância” do filósofo John Locke. Os contextos, apesar de diferentes, revelam elementos comuns, como a necessidade do diálogo e da aceitação para compreender as diferenças. 

Meriam estava num contexto em que a religiosidade cristã era a diferença, assim como o ateu está situado no Brasil, predominantemente cristão. Salvas as devidas proporções e implicações, ambos vivem os dramas diários de uma posição ideológica que difere da vigente. Assim, o livro de Antonella torna-se, para o leitor atento, uma inspiradora fonte de reflexão sobre a vida de uma mulher forte, disposta a lidar com o peso de suas escolhas e que moveu o mundo graças a sua perseverança e solidez de caráter. 

Um outro ponto curioso na narrativa é a ausência de muitos detalhes. A história de Meriam é tão pungente, forte e sincera que os detalhes sequer se fazem necessários. Normalmente, eu consideraria isso um defeito, mas neste caso achei que só enriqueceram ainda mais a experiência de leitura. Meriam resiste na sua vida simples e na sua história de vida trágica e edificante.

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